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História da Unicafes

A União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária

 

No bojo do movimento do cooperativismo solidário surge a União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária em junho de 2005, decorrente do acúmulo de dois anos de debates realizados pelo movimento cooperativista de agricultura familiar e economia solidária das cinco regiões do país.

 

Em julho de 2004 foi realizado o I Encontro Nacional de Cooperativas de Agricultura Familiar com a participação de 352 representantes de cooperativas de crédito, produção e comercialização, infra-estrutura, trabalho, entidades parceiras e sindicatos, orientaram a realização do I Congresso das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária para a criação de uma organização de representação do cooperativismo de agricultura familiar e da economia solidária.
Durante os primeiros cinco meses de 2005 foram realizadas jornadas estaduais e regionais elegendo os/as delegados/as para o I CONGRESSO de Cooperativas de Agricultura Familiar. Em junho de 2005, foi realizado o Congresso tendo a participação de 900 pessoas representando diversos setores: movimentos sociais, sindicatos, instituições de apoio e governo brasileiro. A UNICAFES foi constituída tendo 648 representantes (agricultores familiares) de cooperativas de agricultura familiar e economia solidária, dos diversos sistemas e ramos cooperativos.

 

O I Congresso da UNICAFES, com a presença do Presidente da República, vários ministros e secretários de estado e entidades sindicais parceiras (Contag e Fetraf), marcou a história do cooperativismo no Brasil. A partir deste momento, as cooperativas de agricultura familiar e economia solidária passaram a ser representadas por uma organização nacional e assim, participam ativamente das discussões, das formulações e da implantação de pauta nacional do cooperativismo de agricultura familiar.

 

A UNICAFES tem como missão : “Tornar o cooperativismo um instrumento popular de desenvolvimento local sustentável e solidário dos agricultores familiares, articulando iniciativas econômicas que ampliem as oportunidades de trabalho, de distribuição de renda, de produção de alimentos e melhoria de qualidade de vida”.

 

A UNICAFES tem como princípios norteadores de sua atuação: organização com base nas pessoas, participação democrática, solidariedade, ética, controle social, autonomia, pluralidade, novas relações de gênero, geração e etnia, descentralização das estruturas, integração em rede, economia de proximidade, transparência, intercooperação e respeito ao meio ambiente.

 

A UNICAFES organiza-se através das UNICAFES estaduais,regionais e dos ramos cooperativos e sistemas cooperativos, redes e associações de cooperativas. Desta forma garantem-se as pautas locais, regionais, e especificas dos ramos.


Os seus espaços deliberativos da UNICAFES são a Assembléia Ordinária realizada anualmente, o Conselho Administrativo, o conselho fiscal com reuniões bimensais, e o Congresso a cada três anos. As representações estaduais e regionais desenvolvem pautas integradas com o coletivo nacional. Os ramos cooperativos e as Unicafes estaduais participam das deliberações do conselho administrativo nacional em suas reuniões ampliadas, ocorrendo assim a integração da pauta comum de interesses das cooperativas a nível nacional.

 

A UNICAFES tem como finalidades:

 

a) Articular, integrar e representar as organizações do cooperativismo da agricultura familiar e economia solidária do Brasil, identificado com processos de desenvolvimento local sustentável;

 

b) Desenvolver ações para a aproximação e o entrosamento das entidades associadas;

 

c) Viabilizar ações e assessorias especializadas e assuntos econômicos, financeiros, administrativos, contábeis, jurídicos, cooperativos e de sustentabilidade ambiental, nacionais e internacionais;

 

d) Realizar parcerias e convênios com entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, para atender ás necessidades das associadas;

 

e) Realizar estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos, que digam respeito as atividades mencionadas nos demais objetivos;

 

f) Promover e apoiar ações voltadas ao desenvolvimento econômico e social, geração de trabalho e renda e combate às desigualdades sociais;

 

g) Promover a educação cooperativista e o desenvolvimento da economia solidária, o intercambio com entidades afins e, sobretudo, promover a ética, a paz, a cidadania, os direitos humanos, a democracia e outros valores universais.

 

Atualmente, a UNICAFES agrega cerca de 1.000 cooperativas no seu eixo de atuação e 20 mil cooperados, em 24 estados da federação envolvendo os ramos de produção, comercialização, crédito, assistência técnica e infra-estrutura.


A UNICAFES desenvolve sua representação política frente aos gestores públicos e demais seguimentos da sociedade. Dentre os principais desafios na negociação das políticas públicas, tanto na construção como na reformulação, estão principalmente às leis que amparam as sociedades cooperativas (lei geral do cooperativismo) e as que sustentam legalmente as atividades produtivas da agricultura familiar perpassando o crédito, a assistência técnica, a organização da produção, infra estrutura das propriedades, base tecnológica e a comercialização. Considerando as legislações previdenciária, tributária, ambiental e sanitária.

 

Ao passo que a UNICAFES defende políticas públicas estruturantes para o cooperativismo de agricultura familiar, passa a articular com os demais setores da sociedade parcerias para o desenvolvimento dos empreendimentos cooperativos dos agricultores familiares.

 

 

A UNICAFES e o Cooperativismo Solidário

 

Em agosto de 2008 a UNICAFES realizou o seu II CONGRESSO. Neste Congresso as cooperativas associadas reafirmaram suas estratégias e idéias a cerca da caracterização do novo cooperativismo, foi defendida as formulações a cerca das características do cooperativismo solidário, que constituí o ideário da UNICAFES. Segue as formulações sobre o cooperativismo solidário que constituí o pensamento das cooperativas solidárias associadas à UNICAFES.

 

O cooperativismo solidário não se preocupa apenas em obter benefícios para um número delimitado de pessoas, mas irradiar sua ação para todos os integrantes de um ramo produtivo ou uma comunidade.

 

O cooperativismo solidário é (re)visto como elemento estratégico para os programas de desenvolvimento regional e combate à pobreza . Por terem fortes vínculos com as necessidades sociais locais, em certa medida, as cooperativas solidárias seguem uma tendência que surgiu em várias partes do mundo ainda durante a década de 1980, quando o movimento cooperativo internacional acrescentou “a preocupação com a comunidade” como seu mais novo princípio universal.

 

As cooperativas solidárias são também experiências diferentes em função de sua preocupação com o reconhecimento ao respeito da pluralidade organizacional existente no meio social e as das diferentes formas democráticas de gestão interna. Todavia, os instrumentos de governança devem melhorar a cultura organizacional e incrementar a geração de inovações institucionais, de modo a criarem modelos adaptados às realidades específicas de cada região e às características dos grupos sociais aos quais as cooperativas estão vinculadas.

 

Outro aspecto que caracteriza o cooperativismo solidário é a sua opção pela estruturação em rede e sistemas. Tal escolha pressupõe a construção das grandes diretrizes norteadoras da ação (missão, estratégias, planos e projetos) a partir de formulação de consensos que formam de baixo para cima e contam com ativa participação dos atores (associados, dirigentes, colaboradores e entidades parceiras). As ações são executadas de forma descentralizada havendo espaço para a inovação e para a gestão adaptada às especificidades e características locais.

 

As redes cooperativas facilitam também o acesso às políticas públicas, incentivam o processo de organização social e econômica nos diferentes níveis. De um lado, as redes cooperativas ampliam a escala produtiva e capacidade de captação de recursos e, de outro, reduzem os custos financeiros e dos serviços (jurídicos, contábil, formação, etc.). Além de aproximar as organizações dos seus beneficiários, as redes estimulam a responsabilidade solidária, elemento chave no exercício do controle social e na gestão participativa.

 

Os dados relacionados a redes de cooperação solidária são resultantes do sistema de informações da economia solidária organizado pelo ministério do trabalho e emprego. Atualmente, são 136 redes ou centrais de comercialização solidária no Brasil. Estas atuam nos seguimentos econômicos de agropecuária, extrativismo, pesca, prestação de serviços, e alimentos e bebidas. Na comparação realizada os empreendimentos singulares, isolados tem maior dificuldade de comercializar seus produtos em comparação aos empreendimentos articulados em redes ou centrais.

 

Outra característica presente em diversos sistemas cooperativos solidários são as bases de serviço. As bases ajudam a equilibrar as forças convergentes e as divergentes que se estabelecem entre órgãos de cúpula, como uma cooperativa central, e as singulares. Além disso, as bases reforçam a idéia da interação solidária. A interação exprime a integração das diversas organizações/entidades na construção dos sistemas cooperativos coesos, em que a responsabilidade e o resultado são devidamente compartilhados entre seus membros.

 

As cooperativas solidárias podem também representar um movimento de renovação do cooperativismo nacional em termos mais gerais. Os ideais cooperativistas são congruentes com as novas visões que se formam a respeito do funcionamento dos mercados.

 

Ao participarem ativamente do mundo econômico, as cooperativas ajudam a demonstrar que os mercados são frutos de uma construção social. Ou seja, as cooperativas podem auxiliar no estabelecimento das regras e dos códigos de conduta que regulam os mercados (e, portanto, também das cadeias produtivas) em que atuam.

 

O novo cooperativismo estimula igualmente as experiências de descentralização e a autonomia coletiva, permitindo que pessoas e comunidades aumentem sua capacidade de resolver seus problemas (ampliam seu capital social), e sejam mais valorizadas em termos socioculturais (conquistem sua emancipação).

 

Para não representar apenas uma iniciativa econômica ou uma obra de natureza caritativa, a cooperativa solidária precisa e deve encarar a educação cooperativista como prioridade.

 

Ao oferecer oportunidades aos mais simples de acesso a educação e a informação e assim assumir responsabilidades e executar tarefas cooperativas, se está reforçando a idéia que a cooperação e a educação andam juntas. A cooperação cooperativista que abre espaço permanente à formação reflexiva contribuí para o seu próprio fortalecimento, num movimento de valorização mútuo. Nesse sentido, a cooperação e educação são práticas indissociáveis e peças-chave no futuro do movimento do cooperativismo solidário.

 

Embora com suas raízes nos movimentos sociais, o cooperativismo de base solidária prima por sua autonomia política e econômica, ainda que busque fortalecer os mecanismos de participação e controle social. A capacidade de cumprir sua missão, e de levar adiante as propostas e objetivos é reflexo da capacidade de governança e da comunicação das cooperativas com sua base social, como também reflete o grau de aproximação que a cooperativa estabelece com as demais organizações que compõe seu arranjo institucional.

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